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sábado, abril 07, 2018

A despedida de Marconi



Marconi despede-se com louros



A segunda-feira, dia 2 de abril, foi especial nos alfarrábios da memória. Foi nesse dia, há exatos 50 anos, que ministrei minha primeira aula. O local, um Ginásio Orientado para o Trabalho, o Dom Abel, no Setor Pedro Ludovico, em Goiânia. A diretora, Maria Isabel, entrevistou-me, supôs que eu “levava jeito” e conduziu-me à última sala do pavilhão – se não estou enganado, era o 1° B.

Em poucos anos, atuei em outras escolas, como o Instituto Presbiteriano de Educação e o Liceu de Goiânia, além de alguns cursinhos. Mas caí no desgosto que marca a inveja. Os desafetos tentaram rotular-me “subversivo” para que a repressão me pegasse.

Tive de deixar o ensino. Eu era um crítico sério da reforma do ensino aplicada a partir de 1971, quando se extinguiu o Exame de Admissão “para democratizar o ensino” e instituíram-se os “cursos profissionalizantes” em lugar do Colegial. O aprendizado perdeu, aos poucos, o conteúdo. E distanciou-se da realidade. Em 1996, entendeu-se que aquele sistema estava falindo e implantou-se um novo – que já nasceu falido. A meta, com a mudança de nomes (Ensino Fundamental, em duas fases, e Ensino Médio, em três anos) passou a ser somente “passar no vestibular”.

Num momento feliz, um de meus alunos – Wilmar Alves, jornalista conceituado – empregou-me como redator no jornal em que trabalhava. Em poucas semanas, já me sentia aceito e reconhecido pelos novos colegas. O tempo e as cãs foram sábios mestres. Já não mais sou ressentido pela perseguição mesquinha que me tirou do Ensino. Se o grande sonho não pôde acontecer, supri-o na atividade paralela ao grande sonho. E consegui sonhar maior e dar passos mais amplos, felizmente.

Neste 2 de abril, a segunda-feira passada, tive a alegria de encontrar o Joaquim, um dos meninos daquele inesquecível 1° B. Dei-lhe um abraço e continuei a comemorar, no meu íntimo, estes 50 anos em que, bafejado pelo destino, substituí o ofício do Ensino pelo de Comunicador e escritor de versos e prosa vária.

Nestas condições, as de jornalista e escritor, encerrei a semana testemunhando algumas das atividades do governador Marconi Perillo, que se despedia do cargo para atribuir ao atual titular da Casa Verde, o governador José Éliton, a missão da continuidade. Nestes 20 anos de seu período áureo – duas vezes governador, uma vez senador por quatro anos e novamente duas vezes governador – Marconi Perillo impulsionou Goiás em vários segmentos da vida pública e social, multiplicando muitas vezes o PIB, realizando obras marcantes, ampliando muito a rede viária e também a rede hospitalar estadual e ainda reclassificandopara melhor, com a inestimável competência da professora Raquel Teixeira, a qualidade do Ensino Público Estadual.



Raquel Teixeira e Marconi Perillo - resultados felizes na Educação e na Cultura.

Na Cultura, porém, está a maior gama de feitos. Digo isso porque nenhum de seus antecessores realizou tanto no incentivo à produção literária, artística (plástica), teatral, cinematográfica e musical. Ele abriu espaços para as apresentações e fortaleceu as entidades culturais, facilitou o ativismo cultural com a Lei Goiases e o Fundo de Cultura. Nestes dias de despedidas, testemunhei várias manifestações de dedicação e de gratidão ao líder, que se prepara para outros voos em sua vida pública.

Que seja vitorioso e possa continuar a jornada de grandes feitos. Uma jornada como a de Marconi Perillo certamente registra alguns percalços – afinal, somos todos humanos e passíveis de erros –, mas o balancete em duas colunas mostra resultados elevados na rubrica dos acertos.



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Luiz de Aquino é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras.



2 comentários:

Sueli Soares, professora e advogada. disse...

Quando nos conhecemos, você me contou a sua experiência com o ensino. O tempo, felizmente, afasta as más lembranças e dá lugar às novas experiências. Naquela noite, pensei "com os meus botões" no que poderia ter acontecido a um homem bem falante e com ideias contrárias ao que nos era imposto. Hoje, já não temo. Quanto ao homenageado, embora não tenha conhecimento dos feitos, espero seja digno do povo de Goiás.

Rosy Cardoso disse...

Meu poeta adoro lê lo e suas experiências e lembranças me soam aprendizado.